HISTÓRIA · IRMANDADE · BRAGA
António Augusto Nogueira da Silva
1901–1976 · Comendador e benemérito dos Congregados
Foi decisivo para concluir a fachada da Basílica, renovar o seu interior e afirmar os Congregados como um lugar de oração, reconciliação e vida pastoral no centro de Braga.
Uma história de generosidade, liderança e visão — que vai muito além do financiamento de obras.

1927
Ingressa na Irmandade
1958–1976
Juiz-Presidente da Irmandade
1958–1966
Grande campanha de obras
1975
Concessão do título de Basílica Menor
Uma vida profundamente ligada aos Congregados
Nascido em Paranhos, no Porto, em 29 de janeiro de 1901, António Augusto Nogueira da Silva cresceu em Braga. Fundou a Casa da Sorte em 1933, empresa que se expandiu por diversas cidades portuguesas e por territórios então administrados por Portugal. A sua atividade cívica e benemérita tornou-o uma figura marcante da cidade no século XX.
Entrou na Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Santa Ana em 4 de março de 1927. Em 1943 tornou-se Vice-Juiz e, em 28 de abril de 1958, assumiu o cargo de Juiz-Presidente, que exerceu até falecer em Lisboa, em 1 de outubro de 1976.
O seu legado estendeu-se a iniciativas sociais, educativas e culturais, incluindo o apoio a famílias de menores recursos. Deixou à Universidade do Minho a sua residência, os jardins e uma importante coleção artística, hoje na origem do Museu Nogueira da Silva, situado em frente à Basílica.
Uma receção na casa de Nogueira da Silva · 1964
A RTP registou a receção oferecida por D. Francisco Maria da Silva ao cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira na residência do Comendador Nogueira da Silva. A visita a Braga decorreu por ocasião do Congresso Mariano e do encerramento do primeiro centenário do Santuário do Sameiro. As imagens mostram os cumprimentos no salão e o encontro noturno nos jardins.
Data indicada no Arquivo RTP: 10 de julho de 1964 · 2 min 32 s · Preto e branco · Sem som. Fonte: RTP Arquivos.
A fachada que esperou quase dois séculos
A monumental fachada da igreja, atribuída ao arquiteto André Soares no século XVIII, permanecera inacabada. Nogueira da Silva mobilizou apoios institucionais e acompanhou o impulso decisivo às obras retomadas em 1958. Concluiu-se a torre poente, rematou-se a torre nascente e instalaram-se, em 1963, novos sinos e um relógio elétrico. Em fevereiro de 1964, os nichos receberam as imagens de São Filipe de Néri e São Martinho de Dume.
Um restauro ao serviço da missão
A intervenção não se limitou às torres. Graves problemas estruturais exigiram o restauro da cobertura, do arco-cruzeiro e do interior. A igreja reabriu ao culto a 9 de junho de 1966, solenidade do Corpo de Deus, depois de uma profunda renovação e da adaptação às orientações litúrgicas do Concílio Vaticano II.
Para o Juiz-Presidente, a ambição era fazer dos Congregados um «centro de apostolado extra-paroquial», com melhores condições de culto, celebrações regulares, um reitor dedicado ao templo e uma Capela das Confissões. Essa visão ajudou a definir a missão atual da Basílica no coração de Braga.
Devoção, música e novos meios de comunicação
O seu envolvimento na Festa de Nossa Senhora das Dores foi muito além do apoio financeiro. Promoveu solenidade nas celebrações, qualidade musical e contacto com a imprensa. Em 1960, mandou filmar a festa, cuja película foi exibida em sessão privada no Cinema São Geraldo, em Braga; os registos históricos da Irmandade mencionam a existência da bobina.
Também favoreceu a crescente afirmação pastoral do templo. Em 1975, durante a sua presidência, a Santa Sé concedeu à igreja dos Congregados o título e a dignidade de Basílica Menor.
O projeto que nunca chegou a concretizar-se
Em 1962, Nogueira da Silva propôs construir uma ala adicional, do lado oposto ao antigo edifício do Oratório, simétrica à já existente, onde poderia instalar-se o Tribunal de Braga. A obra nunca se realizou. A investigação histórica esclarece que se tratava de uma proposta do século XX, e não de um projeto original dos Oratorianos que tivesse ficado por executar. Este episódio pouco conhecido revela a dimensão da sua visão.
A homenagem de 1966 e a memória que permanece
Em 9 de junho de 1966, a Irmandade prestou-lhe uma homenagem pública, durante a reabertura da igreja, com o descerramento de uma lápide e de um retrato a óleo, da autoria de Luís de Campos. A gratidão expressa nessa ocasião continua visível no património e na vida da Basílica.
Fontes: Rui Ferreira, De Braga para o Mundo: A devoção de Nossa Senhora das Dores na Basílica dos Congregados (2022), especialmente pp. 75–85 do documento digital; livros de atas e apontamentos do arquivo da Irmandade.
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