PATRIMÓNIO · ARTE · RECOLHIMENTO
Capela de Nossa Senhora da Aparecida
Uma pequena capela. Um espaço que se revela ao olhar.
No interior dos Congregados, o antigo oratório privado dos padres guarda um encontro singular entre oração, ornamento, luz e geometria. A investigação de Gisela da Cunha Gomes ajuda a perceber como um espaço tão pequeno pode parecer tão amplo.
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1768
Datação adotada na dissertação de Gisela Gomes. Traço atribuído a André Soares.
≈ 17,5 m²
Área aproximada indicada no estudo: uma escala íntima para a oração.
7,1 m
Altura máxima do lanternim, segundo o levantamento arquitetónico.
Um oratório privado, resguardado da cidade
A capela foi concebida para a oração e a meditação dos padres oratorianos. Situa-se no primeiro andar do conjunto, entre a capela-mor da igreja e o corpo que envolve o claustro. Sem fachada própria voltada para a rua, conserva o carácter reservado da sua função original.
A planta é retangular e organiza-se em três módulos, precedidos por um pequeno vestíbulo. Os dois módulos laterais têm dimensões semelhantes; no centro, a elevação do lanternim interrompe o percurso horizontal e convida a levantar os olhos.
A designação «Capela dos Monges» também é conhecida, mas o estudo prefere «Capela de Nossa Senhora Aparecida»: os padres do Oratório não eram monges. Fonte: Gomes, 2020, pp. 23 e 75–77.

O lanternim: parar e olhar para cima
O lanternim é a parte elevada que traz luz ao centro da capela. A sua base é elíptica, com o eixo maior colocado à largura do espaço, e não no sentido do percurso até ao altar. Esta disposição é um dos aspetos que a investigação destaca pela sua singularidade.
Três óculos deixam entrar luz natural. A proximidade da igreja impede a abertura de um vão a poente. A luz vinda de cima realça os relevos e acentua a diferença entre a nave mais baixa e a altura do módulo central.
Conchas, motivos vegetais, curvas e contracurvas animam as superfícies. A autora descreve ornamentos moldados em gesso, pintado de cinza para sugerir pedra: a aparência e a matéria não coincidem necessariamente.
Fonte: Gomes, 2020, pp. 77–83.
Três momentos para descobrir a capela
01 · Entrar
Desde a entrada, o retábulo atrai o olhar e dá direção ao percurso. Repare na sequência dos arcos e na continuidade dos ornamentos.
02 · Levantar os olhos
No centro, a altura e a luz do lanternim mudam a perceção do espaço. Observe a elipse e a sobreposição das cornijas.
03 · Aproximar-se do retábulo
O dourado e a concavidade da talha encerram o percurso. Na leitura da autora, o retábulo participa no desenho do espaço, não sendo apenas um elemento acrescentado.
Percurso de observação inspirado na sequência apresentada por Gomes, 2020, pp. 76–83.
A geometria por detrás da sensação de amplitude
O levantamento regista cerca de 7,1 metros de comprimento e outros tantos de altura máxima. A nave lateral ao lanternim tem aproximadamente metade dessa altura. A investigação relaciona estas medidas com o palmo, unidade histórica de cerca de 22 centímetros, e identifica uma regulação comum do espaço e dos seus ornamentos.

A autora ensaia relações proporcionais baseadas no quadrado e na sua diagonal, bem como a proporção áurea no retábulo. Analisa ainda como a curvatura dos capitéis e o dimensionamento das cornijas podem contrariar o encurtamento visual causado pela perspetiva.
Estas leituras são interpretações da investigação, apoiadas no levantamento do edifício. Não equivalem à existência de desenhos originais ou de um documento que descreva as intenções do autor do projeto.
Fonte: Gomes, 2020, pp. 87–99, 119–133 e 163–169.

Conhecer melhor, no estudo e no livro
Esta apresentação baseia-se na dissertação de Gisela da Cunha Gomes, A Capela de Nossa Senhora Aparecida: Geometria e matemática na modelação do espaço, Universidade do Minho, Escola de Arquitetura, janeiro de 2020, orientada pelo Professor Doutor João Cabeleira.
O livro O Desenho da Capela de Nossa Senhora da Aparecida, de Ângela Lopes, Gisela Gomes, João Cabeleira e M. Elfrida Ralha, edição da Irmandade de março de 2021, está à venda em português e inglês.
Consultar a dissertação no RepositóriUM ↗
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Nota sobre a datação e a atribuição
A cronologia do livro de 2021 associa a capela ao intervalo de 1761–1766. A dissertação de Gisela Gomes, de 2020, data a sua construção de 1768 (pp. 24 e 75). Esta página explicita a datação adotada pela dissertação, sem confundir as duas fontes ou dar a divergência como definitivamente resolvida. Mantém-se a expressão «atribuída a André Soares», uma vez que a própria investigação assinala a escassez de fontes primárias sobre o projeto.
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