FÉ · DEVOÇÃO · COMUNIDADE

Nossa Senhora das Dores

Uma devoção que marca a comunidade.
Uma festa que conduz à alegria pascal.

A devoção a Nossa Senhora das Dores ocupa um lugar central na vida dos Congregados. A festa reúne a Irmandade e a comunidade na oração, na celebração da Eucaristia e na contemplação do caminho de Maria junto de Jesus.

Este percurso apresenta a sua história, os seus gestos e a sua dimensão musical, a partir dos estudos de Rui Ferreira, Elisa Lessa e Diogo Alte da Veiga e da Collecção Sacro-Dolorosa do padre Martinho Pereira.

A festa ↓ · A música ↓ · As sete dores ↓ · A história ↓ · Páginas de 1791 ↓

Imagem de Nossa Senhora das Dores no retábulo dourado dos Congregados.
O altar de Nossa Senhora das Dores. Reprodução de Rui Ferreira (2022), p. 5. Créditos fotográficos da obra: Ana Pinheiro e Ana Amorim.

A festa nos Congregados

Rui Ferreira identifica esta festa como o principal momento do calendário anual da Irmandade. A tradição descrita no livro de 2022 articula a celebração quaresmal com um segundo momento, no final da Vigília Pascal.

01 · Adorar

Na quinta e sexta-feira anteriores ao Domingo de Ramos, a festa associa-se ao Lausperene quaresmal dos Congregados, com exposição do Santíssimo Sacramento.

02 · Celebrar

A sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos é o dia da festa, marcado pela Missa solene, pela pregação e pela música. A imagem recebe a sua indumentária solene, entre flores e velas.

03 · Alegrar-se

No final da Vigília Pascal, a retirada das sete espadas e a coroação da imagem exprimem a passagem da dor de Maria à alegria pela Ressurreição do Filho.

Fonte: Rui Ferreira (2022), pp. 151–158. Esta apresentação descreve a tradição; as datas e os horários de cada edição devem ser confirmados na Agenda ou junto da Secretaria.

A festa no Arquivo RTP · 1971

O Arquivo RTP conserva imagens da Festa de Nossa Senhora das Dores na Igreja dos Congregados, com a presença de D. Francisco Maria da Silva. O registo mostra a celebração, os fiéis, o coro infantil e a exposição do Santíssimo Sacramento.

Data indicada no Arquivo RTP: 4 de abril de 1971 · 2 min 50 s · Preto e branco · Sem som. Fonte: RTP Arquivos.

Consultar o vídeo no Arquivo RTP ↗

PATRIMÓNIO MUSICAL · SÉCULOS XVIII A XX

A música da festa: esplendor e dignidade

Do cantochão às grandes formações de coro e orquestra, a música faz parte da história desta devoção.

O estudo de Elisa Lessa e Diogo Alte da Veiga mostra como a oração cantada, a escolha dos músicos e o cuidado com o repertório marcaram a Festa de Nossa Senhora das Dores. Livros de coro, atas da Irmandade e notícias da imprensa permitem conhecer essa história, em que a solenidade da celebração se exprime também através da música.

1761

Uma solenidade cantada. A celebração de 18 de janeiro foi acompanhada por música polifónica, com o canto do Tantum Ergo e do Te Deum.

Fonte: p. 89.

1883

Um repertório de grande fôlego. A festa reuniu Vésperas de João Jordani, a Grande Missa de Sá Noronha e o Stabat Mater de Rossini.

Fonte: p. 96.

1902

50 instrumentistas e 30 coralistas. Sob a direção de Sousa Morais, profissionais e amadores participaram nas celebrações de 20 e 21 de março.

Fonte: pp. 109–111.

Início do Stabat Mater em notação quadrada, conservado no arquivo musical dos Congregados.
Stabat Mater, arquivo da Irmandade, P-BRac MILM 19. Reprodução do livro, p. 82, fig. 52. Clique para ampliar.

O Stabat Mater: cantar junto à cruz

O Stabat Mater — «Estava a Mãe» — ocupa um lugar de destaque neste percurso. O livro sublinha a presença repetida da composição de Rossini, interpretada integralmente ou em excertos, e documenta também trechos do Stabat Mater de Pergolesi no programa de 1906.

Os Estatutos de 1842 previam Vésperas e Missa cantadas, deixando à Mesa a escolha entre música para vozes e instrumentos e cantochão, conforme os recursos disponíveis. As capelas musicais dos Paivas e dos Esmerizes contam-se entre os agrupamentos que asseguraram essa dimensão da festa.

Fontes: pp. 84, 91–95, 104–106, 112–113 e 199. O documento reproduzido pertence ao arquivo musical da Irmandade; não é a partitura da obra de Rossini.

O hino da casa e os sacerdotes músicos

O Hino de Nossa Senhora das Dores, com música do padre Manuel Faria e letra do padre Joaquim António Alves, foi estreado em 4 de fevereiro de 1968, numa homenagem da Irmandade ao Comendador Nogueira da Silva, a quem a obra foi dedicada. Em 1973, o programa da festa voltou a incluir este hino e o Stabat Mater de Manuel Faria, sob a direção do compositor.

O estudo recorda também o padre Alberto Brás, responsável pelo coro e pela orquestra em 1958 e 1960, e o padre Manuel Faria Borda, que dirigiu a participação musical em 1968 e, no ano seguinte, contou com os Pequenos Cantores da Imaculada. São músicos distintos, com contributos próprios para a história da celebração.

Partitura do Hino de Nossa Senhora das Dores: música de Manuel Faria e letra de Joaquim António Alves.
Duas páginas da partitura do Hino de Nossa Senhora das Dores. Arquivo da Irmandade; reprodução do livro, p. 124, fig. 69. Clique para ampliar. Enquadramento histórico: pp. 120–126.
Do arquivo à gravação: uma memória para escutar

A publicação apresenta um acervo de 23 volumes manuscritos e impressos litúrgico-musicais, estudado e inventariado por Diogo Alte da Veiga. O CD que acompanha a obra foi gravado na Basílica em julho de 2022, com jovens cantores da Universidade do Minho e direção musical de Diogo Alte da Veiga e Vítor Lima.

Entre as peças gravadas encontram-se o Intróito, o Trato e a Sequência da Missa de Nossa Senhora das Dores, a partir do Antifonário-Gradual de 1779. A investigação permite, assim, passar da leitura dos documentos à escuta de parte deste património.

Fontes: pp. 12–13, 77, 149 e 208. Esta página apresenta o registo editorial do CD; não disponibiliza as faixas de áudio.

Síntese e imagens a partir de Elisa Lessa e Diogo Alte da Veiga, A Música na Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Santa Ana dos Congregados (séculos XVIII a XX) — Esplendor e Dignidade (2022). Este percurso documenta práticas e programas históricos, não o repertório anunciado para uma próxima edição da festa.

As sete dores de Maria

As sete espadas da imagem remetem para os momentos dolorosos vividos por Maria junto do Filho. Na leitura apresentada no livro, o número sete exprime a totalidade desse sofrimento maternal.

  1. Angústia: a profecia de Simeão.
  2. Temor: a fuga para o Egito.
  3. Desamparo: a perda de Jesus no Templo.
  4. Amargura: ver Jesus a caminho do Calvário.
  5. Agonia: a morte de Jesus na cruz.
  6. Aflição: receber nos braços o corpo de Jesus.
  7. Soledade: a deposição de Jesus no túmulo.

O estudo recorda práticas como o Septenário, o Terço das Sete Dores, a Ladainha e a Coroa Dolorosa. São expressões históricas desta devoção; a sua referência aqui não constitui um anúncio de celebrações atualmente programadas.

Síntese de Rui Ferreira (2022), pp. 98–99 e 104. Mantêm-se as designações das sete dores utilizadas na obra.

Colocação da coroa na imagem de Nossa Senhora das Dores durante a cerimónia pascal.
A coroação da imagem. Rui Ferreira (2022), p. 157. Créditos fotográficos da obra: Ana Pinheiro e Ana Amorim.

Da dor à alegria pascal

A coroação é um dos gestos mais singulares desta tradição. Segundo a descrição de Rui Ferreira, no final da Vigília Pascal retiram-se, uma a uma, as sete espadas da imagem. O resplendor dá lugar a uma coroa, num ambiente de alegria pela Ressurreição.

O Magnificat e o Regina Coeli acompanham esta cerimónia. O padre Martinho Pereira já descrevia o «Modo de coroar a imagem da Senhora das Dores no Sábado Santo» na sua obra de 1791.

Trata-se de um ato devocional realizado no final da celebração, não de uma rubrica própria da Vigília Pascal. Fonte: Rui Ferreira (2022), pp. 156–158.

De Braga para o mundo

O padre Martinho Pereira, da Congregação do Oratório de Braga, foi uma figura decisiva na implantação e difusão desta devoção. A partir dos Congregados, as missões populares e a circulação de textos e práticas devocionais levaram o culto a outras comunidades de Portugal e dos seus então territórios ultramarinos.

1760: António Pinto de Araújo executa a imagem de Nossa Senhora das Dores. 18 de janeiro de 1761: a Irmandade é oficialmente instituída e a imagem recebe a bênção solene do arcebispo D. Gaspar de Bragança.

1791: a edição da Collecção Sacro-Dolorosa aqui reproduzida reúne história, orações, exercícios de devoção e orientações para as irmandades. 1842: a Irmandade é restaurada após a desativação que se seguiu à extinção das ordens religiosas em 1834.

Fonte: Rui Ferreira (2022), pp. 102–105. Conhecer a história da Irmandade →

Páginas que guardam a devoção

Três testemunhos da Collecção Sacro-Dolorosa, correcta e augmentada, de Martinho Pereira, impressa em Lisboa, na oficina de Francisco Luiz Ameno, em 1791. Clique em cada página para ampliar e observar a grafia e a apresentação do exemplar original.

Frontispício da Collecção Sacro-Dolorosa, de Martinho Pereira, Lisboa, 1791.
O livro de 1791. Frontispício com o título, o autor e os dados de impressão.
Página 14 do livro de 1791, sobre a devoção das Dores na Arquidiocese de Braga.
A devoção em Braga. Página 14, início da secção dedicada à sua difusão.
Página 331 do livro de 1791, descrevendo a retirada das espadas e a coroação da imagem.
Retirar as espadas, coroar a imagem. Página 331, na secção sobre a coroação no Sábado Santo.

Reproduções do exemplar digitalizado disponibilizado pela Irmandade. Mantêm-se a grafia, as marcas e as anotações das páginas. São documentos históricos, não formulários litúrgicos atualizados.

Conhecer melhor esta história

Rui Ferreira, A devoção de Nossa Senhora das Dores na Basílica dos Congregados — de Braga para o mundo. Braga: Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Santa Ana dos Congregados, julho de 2022. ISBN 978-989-33-3575-8.

Elisa Lessa e Diogo Alte da Veiga, A Música na Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Santa Ana dos Congregados (séculos XVIII a XX) — Esplendor e Dignidade. Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Santa Ana dos Congregados, 2022. ISBN 978-989-53908-0-9. Com inventário do arquivo musical, transcrições e CD.

Martinho Pereira, Collecção Sacro-Dolorosa, correcta e augmentada. Lisboa: Officina de Francisco Luiz Ameno, 1791. Seleção documental: frontispício e páginas 14 e 331.

O texto desta página é uma síntese das fontes indicadas. Para conhecer as publicações e obter informações sobre a sua aquisição, consulte Livros e publicações ou contacte a Secretaria.

Porque se celebra na Quaresma?

O livro distingue a memória litúrgica de Nossa Senhora das Dores, a 15 de setembro, da tradição conservada nos Congregados: a festa na sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos e a coroação no final da Vigília Pascal. Fonte: Rui Ferreira (2022), pp. 151–152 e 156–158.

Participar na festa

Para confirmar o programa e os horários, consulte os avisos da comunidade ou contacte a Secretaria da Basílica.

Diário do Minho Arquidiocese de Braga Santa Sé — Vaticano

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